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Assédio e feminicídio foram debatidos em evento promovido pelo Comitê de Equidade do Daer

Atividade alusiva ao Mês da Mulher contou com palestras e apresentação artística

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Diretor-geral do Daer, Luciano Faustino, deu as boas-vindas e falou da relevância do tema

Uma tarde para debater e refletir sobre violência contra as mulheres. O auditório da PGE, no prédio do Daer, recebeu, no dia 24/03, o evento “Do Assédio ao Feminicídio”, promovido pelo Comitê de Equidade do Daer e reuniu servidores da autarquia e convidados. A iniciativa, alusiva ao Mês da Mulher, teve o objetivo de discutir o ciclo de violência contra a mulher, que tem em sua origem o machismo estrutural, chegando ao desfecho extremo, o feminicídio.

Até agora 23 mulheres foram mortas no estado, só neste ano. As vítimas, mulheres de idades variadas e de diferentes localidades do Rio Grand do Sul, foram lembradas na entrada do evento através de uma intervenção simbólica. Seus nomes, idades e cidades de origem foram expostas sob pares de sapatos, símbolo mundial de combate ao feminicídio, tornando suas ausências visíveis.

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Vítimas de feminicídio no estado foram lembradas com intervenção simbólica

Na abertura da atividade, o diretor-geral do Daer, Luciano Faustino, saudou o público falando sobre a relevância do tema e sobre a importância da mulher no Daer. “As mulheres têm papel fundamental na trajetória e crescimento deste Departamento que tem 88 anos de existência. Essa pauta sobre violência não deveria existir, mas infelizmente ela existe, e não podemos fechar os olhos. Por isso, espaços de reflexão como este são fundamentais. Tenho muito orgulho do trabalho que vem sendo desenvolvido pelo nosso Comitê de Equidade”, ressaltou Faustino.

A coordenadora da Comissão de Direitos Humanos e Trabalho Decente do TRT da 4ª região, desembargadora Brígida Joaquina Charão Barcelos, esteve presente no evento e falou de união. “Estamos vivendo um momento delicado e muito triste. Não há o que comemorar e sim, lamentar. O assédio no ambiente de trabalho é velado, não é denunciado e precisa ser enfrentado de frente. O homem quando cala, ele consente e sustenta este mecanismo. Precisamos de união, entre homens e mulheres. Homens, por favor nos ajudem nesta luta”, pediu a desembargadora.

Da mesma forma, a coordenadora da Comissão Permanente de Direitos Humanos da PGE-RS, procuradora Lisandra de Azeredo, pediu união entre homens e mulheres como a única saída de enfrentamento ao machismo. “Nós só vamos conseguir enfrentar esta epidemia de violência nos unindo. Precisamos, sim, de punição, mas precisamos educar nossos meninos. E essa educação deve ser feita por homens e mulheres”, enfatizou Lisandra.

A coordenadora do Comitê de Equidade do Daer, Lírian Sifuentes, agradeceu a presença dos participantes, principalmente, pela adesão ao tema. “O Comitê sentiu a necessidade de trazer o tema da violência contra a mulher como foco do evento deste ano. Precisamos lutar juntos para que homem nenhum se veja no direito de tirar a vida de uma mulher”, comentou a coordenadora do Comitê. O evento contou, ainda, com a presença da presidente do CREA-RS, Nanci Walter.

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A atriz Juçara Gaspar levou a personagem Frida Kahlo para falar de violência e brindar à vida

Políticas públicas e a origem da violência

Na abertura da programação, um convite à sensibilização. Entoando a canção “La Llorona”, a atriz, diretora e professora, Juçara Gaspar, levou sua personagem mais icônica, a pintora mexicana Frida Kahlo, para falar de violência. Durante a encenação, a personagem conta do porquê pintou um dos seus quadros intitulado “Unos cuantos piquetitos”, inspirado em um caso verídico de feminicídio.

O evento seguiu com a palestra da publicitária e ativista dos direitos humanos, Ana Saugo, sobre “Ação preventiva e políticas públicas para as mulheres” e, também, da docente do Departamento de História da UFRGS, Natalia Pietra Méndez, que abordou o tema “Violência contra as mulheres: passado e presente”.

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Ana Saugo trouxe números alarmantes e defendeu investimento em rede de proteção às mulheres

Ana Saugo falou sobre os números crescentes de feminicídios no estado e sobre a necessidade urgente de se ter uma rede de proteção e cuidado para as mulheres. “Se aqui na capital e região metropolitana observamos as deficiências na rede de atendimento, no interior é ainda pior. As mulheres que vivem no interior estão completamente desprotegidas”, ressaltou. Segundo ela, só conseguiremos enfrentar a violência investindo em políticas públicas eficazes e atuando diretamente em educação, saúde, assistência social e geração de emprego.

Já Natalia Méndez expôs que a origem da violência contra as mulheres remonta a mitos históricos e textos religiosos, que colocam a mulher como inferior, submissa e como um objeto a serviço do homem. Apesar dos avanços conquistados com a luta feminista, atualmente o machismo segue se espalhando, por exemplo por meio da cultura “red pill”, antifeminista e misógina, que capturam a subjetividade do mais jovens. “Ainda vivemos um passado que não quer passar e isso deve nos incomodar, nos inquietar, para lutarmos. Estamos enfrentando uma verdadeira guerra contra as mulheres”, disse.

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Natalia Méndez falou da origem da violência contra a mulher e do crescimento da cultura "red pill"

O engenheiro José Eduardo Mallmann, 71, que atua na Divisão de Pesquisas Rodoviárias (DPR) do Daer, foi um dos primeiros participantes a chegar ao evento. “Fico pensando que mais pessoas, mais homens principalmente, deveriam ter estado aqui. Me emocionei em vários momentos, porque é inconcebível este cenário de violência contra as mulheres. Precisamos de verdade nos unir e educar nossos netos, nossos filhos, para acabar com este ciclo”, disse.

O também engenheiro Marcos Torres Formoso, 63, que atua na Diretoria de Infraestrutura Rodoviária (DIR), falou da relevância do tema e parabenizou o Comitê pela iniciativa. “Evento primoroso e necessário, infelizmente. Não podemos fechar os nossos olhos para estes fatos e para esta cultura. Até bem pouco tempo, um homem que matava uma mulher era defendido legalmente por “legítima defesa da honra”. Isto é inconcebível”, frisou.

A estagiária da Superintendência de Assuntos Jurídicos (SAJ) do Daer, Gabriela Barcellos, parabenizou os organizadores e a temática. “Muito oportuno porque precisamos saber a origem de tanta violência. Muito bom ouvir as palestrantes”, comentou.

Campanha Minuto do Respeito

Ainda dentro da programação do evento, a Relações Públicas da ACS e coordenadora executiva do Comitê de Equidade do Daer, Susana Goerck, apresentou a Campanha Minuto do Respeito, que teve como base a divulgação e reforço das orientações contidas no Guia para um Ambiente de Trabalho com mais Respeito às Mulheres", lançado em março de 2025 pelo Comitê. O material contém um glossário com termos que representam atitudes de desrespeito às mulheres, e recomendações para uma conduta adequada e bom relacionamento interpessoal no ambiente de trabalho. Ao longo do mês de março, frases do Guia estão expostas em diferentes espaços do Daer bem como nos canais de comunicação da autarquia.

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"Do Assédio ao Feminicídio" foi o primeiro evento de 2026 promovido pelo Comitê de Equidade do Daer

Confira o evento “Do Assédio ao Feminicídio” na íntegra clicando AQUI.

DAER-RS